Como montar sua carteira de investimentos

Imagine um habitante da Papua-Nova Guiné visitando o Brasil pela primeira vez. Bate aquela fome e o camarada decide ir em um tal de restaurante self-service que ele viu na esquina. Eu não sei o que se come na terra dele, mas com certeza o cara não ia ter a menor ideia de como montar o prato aqui no Brasil. Aquele caldo preto chamado “feijão” é sobremesa ou sopa? Esse “palmito” é picolé de coco? E essa areia chamada “farofa”, o que eu faço com ela? É mais ou menos assim que eu imagino um investidor iniciante quando começa a ouvir falar em CDB, ações, fundos, tesouro e etc.

E por onde começar? Bem, como vimos no post anterior, depende. Em qual dos cenários abaixo você se encaixa? Aos poucos você vai evoluir do cenário A, para o B e para o C. Não se apresse. Isso pode levar meses ou anos, o importante é você não querer encher o seu prato com a sobremesa antes de comer os seus legumes e verduras.

  • Cenário A: começou a pensar em investir agora mas ainda não sabe por onde começar.
  • Cenário B: já tem algum dinheiro guardado na poupança ou em investimentos como tesouro direto.
  • Carteira C: já tem uma carteira bem diversificada em renda fixa.

CENÁRIO A
Se você é como nosso amigo de Papua-Nova Guiné dentro de um restaurante brasileiro a quilo, você se enquadra no Cenário A. Nessa situação, independente do seu perfil de risco ou de seus objetivos, você precisa começar construindo uma reserva para qualquer imprevisto (a famosa reserva de emergência). Isso mesmo, ainda não é hora de pensar em rentabilidades elevadas, até porque elas exigem investimentos iniciais maiores e são mais difíceis de resgatar a qualquer momento. O melhor a fazer nessas situações é encher o seu prato com feijão e arroz, ou seja, busque um investimento seguro que aceite aplicações mensais sem necessidade de investimento inicial alto, e que mantenha o valor do dinheiro no tempo.

A minha sugestão é que você siga os passos descritos no post Comece a investir no Tesouro Direto com apenas R$45, abra uma conta em alguma corretora que não cobre taxa de custódia e se discipline a fazer investimentos mensais no título Tesouro Selic. Isso mesmo, sempre que sobrar um dinheiro você deve ir lá e comprar mais desses títulos. Sugiro que você faça isso até ter acumulado pelo menos o equivalente a 6 meses de despesas. Essa será sua reserva de emergência. Você poderá recorrer a ela sempre que tiver um imprevisto e precisar de um dinheiro extra (não esquecendo de repor a reserva assim que der). Além do Tesouro Direto, você também pode considerar Fundo DI ou até mesmo CDBs de liquidez diária. Mas se isso soar complicado, fique no Tesouro que já vai atender à sua necessidade. Muito bem, já montou a sua reserva? Agora continue comprando os mesmos títulos até acumular uns R$10 mil reais adicionais, pelo menos. Pronto, você acaba de ser promovido ao Cenário B.

CENÁRIO B
Muito bem, você já tem feijão e arroz suficiente no prato, agora está na hora de colocar um bife e umas batatas fritas. Pois é, neste cenário você já conseguiu criar uma disciplina de acumulação e conseguiu montar um pequeno patrimônio. Agora temos que começar a falar sobre os seus objetivos. O que você pretende atingir no curto (1 a 2 anos), médio (2 a 5 anos) e longo prazo? Sim, isso é muito importante. A partir de agora você vai começar a fazer investimentos com prazos predeterminados, então correrá risco de perdas caso precise retirar o dinheiro antes da hora para coisas não planejadas.

Neste cenário você continua mantendo a sua reserva de emergência intacta. O restante você pode dividir em outros investimentos de renda fixa, de acordo com os objetivos. Para o objetivos de longo prazo (aposentadoria ou coisas do tipo) eu sugiro que você comece a diversificar comprando títulos do Tesouro Direto IPCA+ de longo prazo. Seguindo os passos deste post você conseguirá comprar títulos para 2035, 2045 de acordo com o que se encaixa no seu perfil. Você pode ir comprando esses títulos mensalmente. Já para o curto e médio prazo eu sugiro que a parte do seu dinheiro seja dividida entre CBDs, LCIs e LCA. Você também consegue fazer esses investimentos através da corretora. Lá você encontrará diversas opções com prazos diferentes. Basta escolher o que esteja alinhado com o seu objetivo (por exemplo, comprar um carro em 2 anos ou um apartamento em 5 anos). Esses investimentos exigem uma aplicação mínima. Você deverá escolher as opções que cabem dentro do que você tem disponível. Ou então volte para o Cenário A, acumule mais um pouco e depois volte aqui e use parte do dinheiro acumulado. Além disso, você pode usar essa planilha para comprar quais as opções que oferecem maiores rentabilidades.

CENÁRIO C
Neste caso você já está acostumado a comer um PF completo (prato feito). Agora chegou a hora de começar a pensar em uma dieta mais balanceada. Depois de acumular um bom patrimônio em produtos de renda fixa, chegou a hora de diversificar a sua carteira de investimentos. Vamos começar a pensar em fundos de investimento, ações, títulos privados dentre outros.

Mas isso é assunto para o próximo post. Até lá!

3 respostas em “Como montar sua carteira de investimentos

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