A tal da Selic e do CDI: entenda de uma vez por todas

entendendoselicVocê respeita os limites de velocidade das estradas? Esses limites servem como uma referência para os motoristas que querem dirigir com segurança. Eles são determinados pelos engenheiros de tráfego de acordo com os riscos de cada estrada, como a quantidade de faixas, por exemplo. Situação semelhante acontece na economia brasileira. O Copom (Comitê de Política Monetária), que é composto principalmente por membros da diretoria do Banco Central, funciona como os engenheiros de tráfego, porém, ao invés de determinar a velocidade de segurança das estradas, eles se reúnem 8 vezes por ano para definir a velocidade da economia brasileira, ou, melhor dizendo, para definir a meta da taxa básica de juros da economia, a famosa Selic.

Quando você ouve o William Bonner falar que “o Copom decidiu pela redução da taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, para 7,0% ao ano” – como noticiado no dia 6/12/17 – ele está se referindo à meta da taxa Selic. A partir do momento da divulgação, o governo passa a remunerar os investimentos feitos em títulos públicos através dessa nova taxa. Assim como o limite de velocidade de uma estrada, essa taxa serve como uma referência de segurança para os investidores, já que os títulos públicos são considerados de baixo risco, conforme falado no artigo “Comece a investir no Tesouro Direto com apenas R$45“. Por outro lado, motoristas que querem chegar mais rápido ao destino precisam dirigir acima do limite, correndo mais risco. A mesma coisa acontece com os investidores. Aqueles que querem remuneração com taxas mais altas têm que buscar investimentos de maior risco através dos bancos ou outras instituições.

E por que o Banco Central revisa a meta da Selic constantemente? O Copom tem a responsabilidade de garantir o cumprimento das metas da inflação, que são definidas pelo Conselho Monetário Nacional. Ao perceber que a inflação está subindo devido ao alto consumo e à alta disponibilidade de dinheiro na economia, o Copom pode decidir aumentar a taxa de juros. Como essa taxa é usada como referência para outros bancos, eles também passam a cobrar taxas mais altas, ficando mais caro, por exemplo, para as pessoas pegarem empréstimos, fazerem financiamentos e compras parceladas. Também fica menos atrativo para os empresários investirem em melhorias na produção de suas empresas. Ao invés disso, eles escolhem aplicar o dinheiro, já que a rentabilidade poderá ser até maior do que se investissem em suas próprias empresas. Esse ciclo acaba por desacelerar o consumo e, consequentemente, reduz a inflação. A situação inversa ocorre quando o governo reduz as taxas de juros para aumentar a produção e estimular o consumo.

Já o CDI – Certificado de Depósito Interbancário – ou simplesmente DI, refere-se à média das taxas aplicadas pelos bancos quando pegam dinheiro emprestado entre si para cobrir eventuais saldos negativos ao final de cada dia, já que o Banco Central não permite que os bancos encerrem o dia com saldo negativo. A média destas taxas é calculada pela Cetip baseada nessas transações. No geral, essa média segue a referência da meta da Selic, normalmente ficando em torno de 0,2 pontos abaixo do valor dessa meta.

E sabe qual é a importância disso para investidores como eu e você? Para atrair investidores que estão dispostos a correr riscos maiores do que os ofertados pelos títulos públicos, os bancos acabam oferecendo rentabilidades proporcionais ao CDI, mas com juros acima da taxa Selic. Apesar de não podermos investir no CDI diretamente, os bancos oferecem várias opções de investimentos que utilizam o CDI como índice de referência. É muito comum encontrar investimentos em renda fixa como CDBs, LCIs e LCAs (calma, estudaremos em postagens futuras) que rendem, por exemplo, 115% do CDI. Além disso, ao conhecer a velocidade de referência da economia, você terá a capacidade de ligar a seta e ultrapassar aqueles investimentos de rentabilidades mais lentas, como a Poupança, já discutida no post “O tempo passou, o tempo voou, e a sua poupança continua de mal a pior“. Dirija com segurança!

Nota do autor: para simplificar, no texto acima eu me referi à meta da Selic e à taxa Selic como sendo a mesma coisa. Acontece que o Copom define a meta da Selic, porém, assim como no caso do CDI, a taxa Selic é calculada diariamente tomando-se a média diária das taxas dos empréstimos entre os bancos que utilizam títulos públicos como garantia. Essas operações são registradas no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic). Os valores diários podem ser consultados no site do Banco Central, mas no geral eles flutuam em torno da meta estabelecida.

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9 respostas em “A tal da Selic e do CDI: entenda de uma vez por todas

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    • Obrigado, Cleison. CDI e Selic são a base para qualquer discussão sobre investimento, mas a maioria das pessoas entende do que se trata. Eu não entendia. Espero que o texto ajude!

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