O ponto de partida

Sexta-feira, 21 de agosto de 2015. Eram 6:50h de uma manhã quente e úmida do verão de New Orleans. Eu já estava no ponto esperando o street car da linha St. Charles como fazia todos os dias. Parecia ser mais um dia normal de trabalho, como foram os últimos 3938 e como seriam os próximos 5280 dias de trabalho até minha provável aposentadoria. Estava dando aquela zapeada matinal na Internet quando me deparei com um artigo da Exame.com intitulado “Calcule de quanto dinheiro você precisa para se aposentar”.

Dentre outras coisas, o artigo falava que se juntássemos R$1 milhão de reais até a aposentadoria, isso renderia apenas R$3,3 mil por mês (considerando uma taxa de juro real, já descontando a inflação, de 4% ao ano ou 0,33% ao mês, aplicando-se em fundos imobiliários, Tesouro IPCA+ com juros semestrais e ações com foco em dividendos). O artigo também falava sobre a perda de valor do dinheiro com o tempo (inflação), sobre o rombo do INSS, e sobre o aumento dos gastos com saúde ao envelhecermos. Ele nos desafiava a pensar sobre qual deveria ser o nosso rendimento mensal durante a aposentadoria para termos uma vida tranquila.

stcar

Não foram os números ou as análises do artigo que me chamaram a atenção. Na verdade, ele me fez refletir, perceber que já estava com 36 anos, que estava chegando próximo da metade da minha vida profissional, e lembrar que eu ainda não havia pensado seriamente sobre a minha aposentadoria. É claro, eu contribuía para o INSS, possuía o plano de pensão da empresa em que eu trabalhava, e ainda contribuía mensalmente para o PGBL (graças ao programa de incentivo da minha empresa, que depositava uma contrapartida). Mas naquele momento, enquanto o street car, verdinho como as notas de dólar, se aproximava, eu percebi que já havia passado do ponto, que o bonde já estava andando há tempos. Estava na hora de assumir o controle da direção da minha própria vida financeira e deixar de ser apenas um passageiro. Vamos comigo? All aboard! Boa viagem…

 

27 respostas em “O ponto de partida

  1. Pingback: Por que independência financeira? | A Tal Independência Financeira

  2. É por aí, Rodrigo! A presença do estado brasileiro é tão grande na vida das pessoas que dão a ele, como se uma religião fosse, a incumbência de tutela, de que será o estado a garantir a aposentadoria. E isto é feito de forma meio mágica, porque ninguém se preocupa, de fato, de como o estado gere os recursos públicos. Está-se construindo um futuro tenebroso…

    • Pois é. A independência a que me refiro não é apenas financeira, mas também independência do estado. Uma pena que a grande maioria não pensa assim. Estou tentando dar a minha contribuição.

  3. Pingback: Revolução de ano novo | A Tal Independência Financeira

  4. Quando entrei no plano de pensão da empresa sabia que estava fazendo a melhor opção se me aposentasse por invalidez ou se morresse antes de me aposentar, para deixar uma pensão para meus filhos.
    A melhor aposentadoria é a que nós mesmos fazemos. Tem que ter disciplina e tem que sobrar alguma coisa. Quem só tem o suficiente para pagar o básico ou está muito endividado tem que dar um jeito nisso primeiro.
    Vou acompanhar o blog porque o assunto é interessante.
    Grande abraço

  5. Pingback: Os ovos da galinha de ouro | A Tal Independência Financeira

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